EFEITOS DA INTOXICAÇÃO AGUDA COM CLORPIRIFÓS SOBRE A NEURORREGULAÇÃO TÔNICA E REFLEXA CARDIORRESPIRATÓRIA EM RATOS JOVENS NORMOTENSOS E PRÉ-HIPERTENSOS

Nome: VITOR SAMPAIO MINASSA

Data de publicação: 30/01/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
AGATA LAGES GAVA Examinador Interno
JULIANA BARBOSA COITINHO GONCALVES Examinador Interno
NAZARE SOUZA BISSOLI Presidente
SÍLVIA MARGARIDA VILARES SANTOS CONDE Examinador Externo
TADEU UGGERE DE ANDRADE Examinador Externo

Resumo: Em estudos prévios de nosso grupo demonstramos que ratos espontaneamente hipertensos (do
inglês Spontaneuouly Hypertensive Rats - SHR) adultos apresentavam uma maior mortalidade
frente a intoxicação aguda com clorpirifós (CPF), um inseticida organofosforado (OF)
amplamente utilizado. Todavia, se essa susceptibilidade estava associada ao quadro de
hipertensão já instalado ou ao traço genético, permanecia por ser investigado. Adicionalmente,
embora em estudos prévios em ratos normotensos jovens tenhamos demonstrardo profundas
alterações cardiorrespiratórias frente a intoxicação aguda com CPF, não se sabia se essas
alterações cursavam com mudanças no perfil oxidativo nas primeiras horas pós-intoxicação.
Sendo assim, no presente estudo avaliamos os efeitos da intoxicação com CPF em modelo in
vivo e in situ, sobre as alterações cardiorrespiratórias e perfil oxidativo de ratos jovens Wistar
e SHR. No estudo 1, in vivo, DMSO (n=20) ou CPF (30 mg/kg; n=20) foi administrado por via
intraperitoneal em ratos jovens normotensos e pré-hipertensos e medidos os sinais de toxicidade
aguda e, após 24 horas, foram coletadas amostras de sangue e tronco encefálico para análises
das atividades colinesterásicas (ChEs) e de marcadores de estresse oxidativo/nitrosativo. No estudo 2, in situ, administramos DMSO (n=24) ou o metabólito ativo do clorpirifós, clorpirifós-
oxon (CPO 15 mg/kg, n=24), a solução de perfusão da preparação tronco cerebral-coração isolados (WHBP) e avaliamos os efeitos sobre a regulação tônica e reflexa cardiorrespiratória.
Ao término do protocolo, os tecidos cardíaco e cerebral foram coletados para análises do perfil
ChE e oxidativo. Os registros cardiorrespiratórios foram obtidos através das atividades do nervo
frênico (PN), laríngeo recorrente (RLN) e simpático torácico (tSNA), do eletrocardiograma
(dados de frequência cardíaca, FC) e da pressão de perfusão (PP). Para ativação do
quimiorreflexo foi utilizado cianeto de potássio (KCN 0,03%,75L), para o barorreflexo
fenilefrina (1,5 mM, 100L) e para o reflexo Bezold-Jarisch (RBJ), fenilbiguanida (120g/Kg).
Os dados foram analisados por métodos estatísticos apropriados. No estudo 1 observamos que
ratos jovens da linhagem SHR apresentaram sinais de toxicidade aguda em maior intensidade,
quando comparados aos animais da linhagem Wistar. Adicionalmente, foi observada uma
inibição das atividades das enzimas acetilcolinesterase eritrocitária e butirilcolinesterase
(BuChE) 24 horas após a intoxicação, tanto em ratos da linhagem SHR, quanto Wistar. Animais
da linhagem SHR apresentaram menores níveis basais da enzima BuChE. No tronco encefálico
houve um aumento da expressão proteica da catalase (CAT) em ratos normotensos e da NADPH
oxidase 2 (NOX-2) nos pré-hipertensos. No estudo 2, o CPO reduziu a FC somente em SHR,
induziu hipopneia em ambas as linhagens e maior bradipneia em ratos Wistar. Estes se
mostraram mais suscetíveis aos eventos de apneia após a intoxicação e maior prejuízo do
controle respiratório das vias áreas superiores. Ratos SHR apresentaram maior elevação do
drive simpático após o CPO, enquanto em ratos Wistar foi observado um desacoplamento
simpato-respiratório. Sobre os reflexos cardiovasculares, o CPO inibiu a resposta taquipneica
quimiorreflexa em ratos Wistar e potencializou em ratos SHR, com semelhante potenciação da
bradicardia e redução da simpatoexcitação quimiorreflexa nas duas linhagens. O CPO atenuou
o ganho bradicárdico barorreflexo em ratos normotensos e aumentou em ratos SHR. A
simpatoinibição e a resposta bradipneica RBJ foram atenuadas após CPO, com maior redução
da simpatoinibição em ratos SHR e prolongamento do tempo expiratório em ratos Wistar. A
atividade ChE no tronco encefálico e no átrio de ratos Wistar e SHR se mostrou inibida após o
CPO. Em ratos normotensos os níveis dos marcadores oxidativo/nitrosativo atingiram níveis
semelhantes ao de ratos pré-hipertensos após intoxicação aguda com CPO. Além disso, não
houve alteração na expressão proteica da CAT e NOX-2. Nossos achados mostram que animais
normotensos e pré-hipertensos apresentam padrões distintos de comprometimento
cardiorrespiratório, autonômico e oxidativo frente à intoxicação aguda ao CPF. Esses resultados
reforçam que a toxicidade por OF constitui um processo dinâmico e multifatorial, no qual o
fenótipo fisiológico do individuo pode influenciar os desfechos funcionais após a exposição.

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